A lei antiálcool
Não será fácil para o governador Geraldo Alckmin repetir, com sua lei antiálcool, o sucesso de seu antecessor com a lei antifumo. A fórmula é a mesma: símbolos ostensivos de proibição, repressão sobre comerciantes, blitze de fiscalização, multas pesadas, ameaça de interdição e até perda do registro para quem desobedecer. O marketing é semelhante: saúde, cidadania, responsabilidade, comprometimento. Mas os problemas são diferentes.
Há pelo menos 15 anos o cigarro vem sendo banido de nossa cultura, primeiro na Europa, depois no Brasil. Não está mais na televisão, no esporte ou na música. Ao proibir o fumo em espaços coletivos, a lei mudou uma regra social vigente há séculos. E valeu para todos, jovens e adultos.
Já a nova lei antiálcool apenas recrudesce, no Estado, a proibição da venda de bebidas a menores de 18 anos, conforme determina a legislação federal há mais de 20 anos. Restava fazer cumprir. Apesar da cena policialesca de criminalizar lojistas, garçons, balconistas, frentistas e caixas de supermercado, o Governo paulista tem lá seus méritos. Mas é difícil que o resultado vá além disso.
Não adianta muito proibir a venda de álcool para adolescentes e, ao mesmo tempo, manter uma cultura que valoriza seu consumo. A cada rodada do Brasileirão, a cada show de rock, pagode ou sertanejo, a bebida segue sendo promovida por astros do futebol e da música como sinal de alegria, beleza, esperteza, garra, conquista, sucesso.
No fim das contas, é como dizer ao jovem: “Tomar cerveja e destilado é tudo de bom! Hoje não pode. Mas daqui a uns poucos anos você será adulto e poderá beber à vontade, como fazem seu cantor preferido e o craque da Seleção”. Não é à toa que, desta vez, até os fabricantes estão aplaudindo o governador.