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	<title>Francisco Rolfsen Belda</title>
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	<description>Textos, Cursos e Publicações &#124; Prof. Dr. Francisco Rolfsen Belda</description>
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		<title>Corrupção nossa de cada dia</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 22:43:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Rolfsen Belda</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ontem, 12 de outubro, foi dia das crianças, dia da padroeira do Brasil, dia do descobrimento da América, dia do atletismo e, também, dia de marcha contra a corrupção em dezenas de cidades no País. Em Araraquara, os organizadores imaginavam atrair cerca de 600 pessoas até o Parque Infantil. Ao final, após a exibição de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=240&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem, 12 de outubro, foi dia das crianças, dia da padroeira do Brasil, dia do descobrimento da América, dia do atletismo e, também, dia de marcha contra a corrupção em dezenas de cidades no País. Em Araraquara, os organizadores imaginavam atrair cerca de 600 pessoas até o Parque Infantil. Ao final, após a exibição de faixas e algumas palavras de ordem, apenas 80 assinaturas foram colhidas.</p>
<p><span id="more-240"></span></p>
<p>São números tímidos, é verdade. Ainda mais quando se sabe que nem todos os que rubricaram seu apoio estavam lá exatamente para isso. Mas a iniciativa é válida, e serve para mostrar que o engajamento cívico das novas gerações pode chegar um pouco além de se apertar o botão &#8220;curtir&#8221; ou de teclar 140 caracteres em uma rede social.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O problema é que muita gente que se indigna, abstratamente, contra a corrupção no País e faz de políticos, genericamente, o alvo central de sua fúria moralista ainda aceita praticar ou conviver, diariamente, e quase sem incômodo, com uma série de pequenos desvios que, gradualmente, ajudam a corromper nosso senso de cidadania.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É o caso, por exemplo, de quem não vê problema em furar fila, parar carro em vaga reservada a idosos e deficientes, avançar de propósito sobre faixa de pedestres, jogar lixo pela janela, deixar na calçada cocô do cachorro, ou mesmo pagar &#8220;por fora&#8221; a funcionários públicos para acelerar expedição de documento ou tentar reverter autos de infração.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A teoria jurídica ensina que a corrupção política é, sempre, uma decorrência da corrupção social. Primeiro a sociedade se corrompe para, depois, corromper o Estado. No imaginário popular do Brasil, o interesse pessoal sempre esteve acima do interesse coletivo. Mandar político corrupto para a cadeia é o mínimo que se pode cobrar de um Estado de Direito. Mudar a mentalidade que legitima nossas pequenas corrupções de cada dia, porém, é o dever de casa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/belda.wordpress.com/240/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/belda.wordpress.com/240/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/belda.wordpress.com/240/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/belda.wordpress.com/240/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/belda.wordpress.com/240/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/belda.wordpress.com/240/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/belda.wordpress.com/240/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/belda.wordpress.com/240/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/belda.wordpress.com/240/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/belda.wordpress.com/240/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/belda.wordpress.com/240/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/belda.wordpress.com/240/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/belda.wordpress.com/240/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/belda.wordpress.com/240/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=240&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Quanto vale um vereador</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 22:42:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Rolfsen Belda</dc:creator>
				<category><![CDATA[araraquara]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Não acho absurdo que um vereador ganhe quase R$ 8 mil por mês, como propõe projeto que vem sendo negociado pelo Legislativo de Araraquara, conforme informou Hever Costa Lima, nesta Tribuna Impressa (4/10, p. A-3). É um valor módico se comparado, por exemplo, ao salário do presidente do Senado, José Sarney, que leva para casa, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=238&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não acho absurdo que um vereador ganhe quase R$ 8 mil por mês, como propõe projeto que vem sendo negociado pelo Legislativo de Araraquara, conforme informou Hever Costa Lima, nesta Tribuna Impressa (4/10, p. A-3). É um valor módico se comparado, por exemplo, ao salário do presidente do Senado, José Sarney, que leva para casa, oficialmente, cerca de R$ 60 mil mensais. Somada a verba de gabinete e outros benefícios indiretos, a mensalidade paga a esses parlamentares de elite pode chegar a R$ 159 mil, de acordo com dados do próprio Congresso e da ONG Transparência Brasil. No Judiciário, também há vários casos assim.<span id="more-238"></span></p>
<p>Parece muito. E é mesmo. Da mesma forma que os R$ 8 mil pleiteados pelos nossos vereadores parecem muito se comparados, por exemplo, ao salário inicial de um professor da rede municipal (R$ 7,15 por hora) ou de um educador social (R$ 4,82 por hora), como consta no Portal da Transparência da Prefeitura de Araraquara. Se tiverem a sorte de conseguir uma jornada completa de 40 horas semanais, esses profissionais ganhariam cerca de R$ 1,2 mil e R$ 867 por mês, respectivamente.</p>
<p>A disparidade fica maior, porém, quando se considera não exatamente o valor do salário, mas a relação custo-benefício que cada uma dessas posições, e seus ocupantes individualmente, representa para o município. Em outras palavras, quem recebe dinheiro público, seja servidor ou vereador, deveria valer o quanto pesa, conforme o resultado do trabalho que exerce em benefício de quem lhe paga o salário. No caso, todos nós.</p>
<p>Sei que é difícil, quase impossível, impor metas de produtividade ao setor público, sobretudo a cargos eletivos. Uns dirão que é inconstitucional. Outros, até que é imoral. Afinal, quem, se não as urnas, poderia julgar a qualidade do trabalho de um representante do povo? Mas, ainda que não se possa vincular a remuneração de um parlamentar à qualidade de seus projetos e representações, deveríamos ao menos encontrar meios de dimensionar, comparativamente, o valor do exercício de seu mandato. Talvez, assim, pudéssemos ter ideia de quanto, realmente, vale um vereador.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/belda.wordpress.com/238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/belda.wordpress.com/238/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/belda.wordpress.com/238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/belda.wordpress.com/238/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/belda.wordpress.com/238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/belda.wordpress.com/238/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/belda.wordpress.com/238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/belda.wordpress.com/238/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/belda.wordpress.com/238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/belda.wordpress.com/238/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/belda.wordpress.com/238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/belda.wordpress.com/238/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/belda.wordpress.com/238/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/belda.wordpress.com/238/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=238&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Bom senso no comércio</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Sep 2011 13:12:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Rolfsen Belda</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Para a cidade é bom, muito bom mesmo, ter o comércio aberto aos sábados até as 17 horas. Acho que todos deveriam concordar com isso. É bom para quem vende, bom para quem compra, bom para quem passeia, bom para quem pesquisa, bom para quem presta uma infinidade de serviços que dependem do movimento nas ruas e calçadas para fazer o dinheiro circular. É isso o que faz da cidade o principal polo comercial da região. É o algo mais que ajuda a atrair gente de Matão, Taquaritinga, Ibitinga, Américo, Santa Lúcia, Ibaté e até da comercialmente acanhada São Carlos, para comprar, pesquisar, pechinchar, bater perna, tomar sorvete, cafezinho e, quem sabe, emendar um cinema e um restaurante na nossa cidade. É bom, enfim, porque dá impulso à nossa economia. Isso é bom. Ponto. <span id="more-236"></span><br />
Por que, então, tanta polêmica e tanto apoio para a proposta, já aprovada pela Câmara Municipal e que poderá ser contestada na Justiça, de fazer o comércio fechar suas portas mais cedo nesse que é o melhor dia da semana? O legítimo e indiscutível direito de os comerciários poderem descansar e aproveitar esse dia com suas famílias e amigos, em vez de ver o sábado passar detrás do balcão, não me parece motivo suficiente para tamanha celeuma, muito menos requisito para uma lei municipal. Bastaria um regime de escala ou rodízio, como aliás é feito nesta Tribuna Impressa e em tantas outras empresas que mantêm atividades contínuas em finais de semana, de modo que cada funcionário pudesse trabalhar em um sábado e folgar no outro. Ou algo próximo disso.</p>
<p>Haveria necessidade de mais contratações? Ora, isso é bom também! Não creio que chegue a sangrar os comerciantes. Assunto a ser negociado diretamente entre patrões e empregados, por meio de seus sindicatos, talvez sob mediação da Justiça do Trabalho. Nada além disso. Para quem vê de fora, fica a sensação de que falta bom senso e sobra oportunismo entre os que se batem atrás de leis e outras pirotecnias que talvez sirvam como reserva de votos, mas não ajudam ao tentar impor uma solução que deveria surgir pela livre iniciativa das partes. E isso não é bom.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/belda.wordpress.com/236/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/belda.wordpress.com/236/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/belda.wordpress.com/236/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/belda.wordpress.com/236/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/belda.wordpress.com/236/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/belda.wordpress.com/236/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/belda.wordpress.com/236/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/belda.wordpress.com/236/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/belda.wordpress.com/236/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/belda.wordpress.com/236/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/belda.wordpress.com/236/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/belda.wordpress.com/236/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/belda.wordpress.com/236/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/belda.wordpress.com/236/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=236&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Bons costumes</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 18:06:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Rolfsen Belda</dc:creator>
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		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes que houvesse facções criminosas com celulares a controlar o tráfico de dentro dos presídios; antes que quadrilhas se pós-graduassem em logística para comandar roubos de carga nas rodovias da região; antes que garotos armados ousassem invadir residências, sequestrar e violentar pessoas; antes que surgissem as hordas de universitários bêbados gritando, brigando, urinando e atropelando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=232&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes que houvesse facções criminosas com celulares a controlar o tráfico de dentro dos presídios; antes que quadrilhas se pós-graduassem em logística para comandar roubos de carga nas rodovias da região; antes que garotos armados ousassem invadir residências, sequestrar e violentar pessoas; antes que surgissem as hordas de universitários bêbados gritando, brigando, urinando e atropelando velhinhas pelas ruas; antes, enfim, de tudo isso, houve um tempo em que tarefa de delegado de polícia em Araraquara era zanzar pelas ruas e praças fiscalizando o cumprimento da moral e dos bons costumes.<span id="more-232"></span></p>
<p>Um deles foi o doutor Góis Monteiro, membro da tradicional família alagoana e que apitou por essas bandas entre os anos 50 e 60. Dizem que ele chegou a prender um casal de namorados que se amassava sob a penumbra em um banco no Jardim da Independência. Chamou o pai da moça à delegacia. &#8220;Veja só, meu senhor&#8221;, disse, grave. &#8220;Esse sujeito estava mamando na sua filha em plena praça pública!&#8221;. Para a época, teria a menina preferido dormir no xadrez a enfrentar o sermão, se só, em casa. E, como tampouco havia tribunais de pequenas causas, a atribuição do xerife ia além.</p>
<p>Um dia, o doutor Góis Monteiro foi chamado a resolver uma pendenga entre um pedreiro e seu contratante, homem ilustre da sociedade local. Não haviam combinado preço. Quando o operário cobrou pelo serviço, o tal senhor achou caro e recusou-se a pagar. Ciente da história, na presença de ambos, o delegado não pensou duas vezes e sentenciou. &#8220;O senhor vai pagar, ou vai preso&#8221;. O fidalgo, então, esnobou. Sacou do bolso um maço de notas e as atirou no chão, aos pés do pedreiro. &#8220;Pois fica de esmola!&#8221; Virou-se e, quando já ia saindo, foi repreendido pelo comissário. &#8220;O senhor não vai pagar?&#8221;, insistiu. &#8220;Mas acabei de pagar, está aí o dinheiro&#8221;, retrucou o homem, apontando as notas atiradas no chão. &#8220;Não, isso é a esmola. Agora, senhor, pague logo o homem pelo serviço.&#8221; E ele pagou.</p>
<p><em>(Texto publicado no jornal Tribuna Impressa no dia 22/09/2011)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/belda.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/belda.wordpress.com/232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/belda.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/belda.wordpress.com/232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/belda.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/belda.wordpress.com/232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/belda.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/belda.wordpress.com/232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/belda.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/belda.wordpress.com/232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/belda.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/belda.wordpress.com/232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/belda.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/belda.wordpress.com/232/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=232&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Meu mendigo preferido</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2011 18:42:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Rolfsen Belda</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estivessem vivos, Sabugo e Pemba, dois saudosos mendigos araraquarenses, poderiam se candidatar a um novo tipo de site de compras coletivas que está dando o que falar na internet. O &#8220;Mendigo Urbano&#8221; divulga perfis de moradores de rua com o objetivo de sensibilizar grupos de internautas a contribuirem para a compra de um &#8220;kit mendigo&#8221;, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=225&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estivessem vivos, Sabugo e Pemba, dois saudosos mendigos araraquarenses, poderiam se candidatar a um novo tipo de site de compras coletivas que está dando o que falar na internet.</p>
<p>O &#8220;Mendigo Urbano&#8221; divulga perfis de moradores de rua com o objetivo de sensibilizar grupos de internautas a contribuirem para a compra de um &#8220;kit mendigo&#8221;, no valor de R$ 250. Você escolhe seu mendigo preferido e doa o quanto quiser. Fechada a compra, ele ganha o valor do kit revertido em cesta básica, roupas e corte de cabelo.<span id="more-225"></span></p>
<p>Três já receberam. Maurício, um rapaz que &#8220;sonha com tudo aquilo que poderia ter sido diferente&#8221;, Bira, que tem &#8220;uma voz surpreendente e personalidade cativante&#8221;, e Seco, &#8220;defensor da honra dos moradores de rua&#8221;, conforme os perfis apresentados no site. Outros dois ainda esperam a mesma sorte. Existe até um &#8220;ranking de investidores&#8221; destacando os internautas mais solidários.</p>
<p>A iniciativa é de dois estudantes de Novo Hamburgo (RS) e não tem fins lucrativos. Em um mês, já rendeu dezenas de reportagens e centenas de comentários em sites, blogs e redes sociais. A maioria apoia seu sentido de &#8220;conscientização&#8221;, &#8220;solidariedade&#8221; e &#8220;visibilidade social&#8221;. Mas há quem desaprove, acusando a transformação de &#8220;seres humanos em mercadoria&#8221; e a &#8220;exploração pejorativa&#8221; da miséria alheia.</p>
<p>Apesar do alcance limitado, a ideia me pareceu tão legítima quanto curiosa. Detalhe: o &#8220;Mendigo Urbano&#8221; já foi &#8220;curtido&#8221; por mais de 5 mil pessoas no Facebook, contra 1.073 do Plano Brasil sem Miséria, hoje a menina dos olhos da presidente Dilma.</p>
<p><em>(Texto publicado no jornal Tribuna Impressa em 15/09/2011)</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/belda.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/belda.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/belda.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/belda.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/belda.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/belda.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/belda.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/belda.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/belda.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/belda.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/belda.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/belda.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/belda.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/belda.wordpress.com/225/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=225&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Leia, escreva&#8230; e compre</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Sep 2011 19:18:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Rolfsen Belda</dc:creator>
				<category><![CDATA[araraquara]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto, em Araraquara, o Ministério Público e a Prefeitura discutem a regularidade da compra, por R$ 1,5 milhão, de 48 lousas digitais para escolas municipais, nos Estados Unidos (onde mais?), pais, educadores e gestores travam há mais de dez anos um debate acalorado sobre a regulamentação da publicidade em sala de aula em troca de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=219&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto, em Araraquara, o Ministério Público e a Prefeitura discutem a regularidade da compra, por R$ 1,5 milhão, de 48 lousas digitais para escolas municipais, nos Estados Unidos (onde mais?), pais, educadores e gestores travam há mais de dez anos um debate acalorado sobre a regulamentação da publicidade em sala de aula em troca de mais recursos para o financiamento do ensino público.<span id="more-219"></span></p>
<p>O assunto é espinhoso. Se, por um lado, expõe crianças e adolescentes a um tipo especialmente invasivo de propaganda, há quem argumente ser essa uma forma válida de custear equipamentos e serviços de informática, ou mesmo complementar o salário de professores, sem onerar ainda mais os cofres públicos. Em troca, a empresa patrocinadora ganha o direito de exibir sua marca nas telas dos computadores, inserir vinhetas comerciais em vídeos e softwares educativos, fixar posters de anúncios em sala de aula, entre uma infinidade de outros formatos.</p>
<p>Imagine você, leitor, um livro didático que enunciasse assim um problema de matemática. “As bolachas Kroc com sabor morango e chocolate têm 4,5 cm de diâmetro. Calcule o raio e a circunferência da bolacha.” Estranho? Pois há vários exemplos reais como este em escolas norte-americanas, com referência a refrigerantes, cereais, pastas de dente e outros produtos que despertam o desejo da molecada.</p>
<p>No Brasil, a moda ainda não pegou. E eu, pessoalmente, sou contra. Mas, diante de tanta carência nas escolas e da escassez de recursos, alguém aí poderia até pensar: “pagando (e regulando) bem, que mal tem?”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>(Texto publicado no jornal Tribuna Impressa, p.5, 08/09/2011) </em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/belda.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/belda.wordpress.com/219/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/belda.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/belda.wordpress.com/219/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/belda.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/belda.wordpress.com/219/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/belda.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/belda.wordpress.com/219/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/belda.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/belda.wordpress.com/219/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/belda.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/belda.wordpress.com/219/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/belda.wordpress.com/219/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/belda.wordpress.com/219/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=219&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Homem do campus, homem da cidade</title>
		<link>http://belda.wordpress.com/2011/03/03/homem-do-campus-homem-da-cidade/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 Mar 2011 19:10:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Rolfsen Belda</dc:creator>
				<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Um aluno, certa vez, me perguntou. &#8220;Você trabalha ou só dá aulas?&#8221; Não havia ironia na questão. Ele realmente queria saber se, além de ter feito mestrado, doutorado, escrito trabalhos científicos, participado de congressos, ministrado disciplinas, organizado eventos e projetos de pesquisa, se além disso, eu também tinha experiência prática da profissão. Mas estava explícita [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=216&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um aluno, certa vez, me perguntou. &#8220;Você trabalha ou só dá aulas?&#8221; Não havia ironia na questão. Ele realmente queria saber se, além de ter feito mestrado, doutorado, escrito trabalhos científicos, participado de congressos, ministrado disciplinas, organizado eventos e projetos de pesquisa, se além disso, eu também tinha experiência prática da profissão. Mas estava explícita na pergunta a desvalorização do &#8220;dar aulas&#8221; sobre o &#8220;trabalhar&#8221;. Afinal, como se diz por aí, quem sabe faz (mesmo sem saber fazer) e quem não sabe ensina (ainda que não saiba ensinar).<span id="more-216"></span></p>
<p>O episódio ilustra um pouco da incompreensão mútua que cerca o &#8220;homem do campus&#8221; e o &#8220;homem da cidade&#8221;, ou a dicotomia entre a vida na academia e a vida no mercado. A primeira é geralmente vista como bucólica, reflexiva, desinteressada (como se não houvesse rankings de produtividade científica). A segunda, dinâmica, pragmática, venal (como se não houvesse ética nos negócios). É a caricatura do filósofo contra a do rentista, e que faz esquecer as tantas matizes e nuances que separam esses extremos opostos.</p>
<p>De fato, nossas melhores universidades públicas dependem do imposto pago por empresas que vendem mercadorias. E nossas melhores empresas privadas também dependem da mão-de-obra qualificada e de novas tecnologias oriundas das universidades. Mas ainda estamos longe de um modelo em que empresas doem, voluntariamente, parte de seus lucros para que instituições de excelência em ensino e pesquisa projetem o futuro. E em que chefes de departamento de universidades não vejam como heresia o emprego de seus alunos, laboratórios e equipes de pesquisas na solução de problemas propriamente empresariais.</p>
<p>Imagino o que aconteceria se esses papéis se invertessem por um dia. Acadêmicos, feitos empresários de ocasião, precisariam tomar decisões urgentes, gerir pessoas, impulsionar vendas, avaliar balanços, gerar empregos e renda. Empresários e executivos, de súbido, teriam que dar aulas, emplacar artigos, orientar pesquisas e produzir conhecimento e inovação. Talvez assim percebam o quanto dependem uns dos outros. E o quanto teriam a ganhar, mutuamente, se fizessem aproximar esses dois mundos. Seria como dizer por aí: quem sabe, sabe porque faz; e quem faz, faz porque sabe. E quem não sabe&#8230; Bem, na academia ou no mercado, sempre é tempo de aprender.</p>
<p><em>(Texto escrito em colaboração à revista do programa PET do Curso de Letras da Unesp &#8211; Araraquara. O título &#8220;Homem do campus, homem da cidade&#8221; é o nome da seção da revista na qual o texto foi publicado) </em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/belda.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/belda.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/belda.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/belda.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/belda.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/belda.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/belda.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/belda.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/belda.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/belda.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/belda.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/belda.wordpress.com/216/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/belda.wordpress.com/216/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/belda.wordpress.com/216/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=216&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Serra ou Dilma?</title>
		<link>http://belda.wordpress.com/2010/08/02/serra-ou-dilma/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 04:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Rolfsen Belda</dc:creator>
				<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Muitos diriam: &#8220;Marina!&#8221; Mas acabarão votando em José Serra ou Dilma Roussef para presidir o Brasil, no mínimo, até 2014. Apesar do Fla-Flu, são tipos parecidos, Dilma e Serra. No geral, falta-lhes appeal. Serra tropeça na campanha, mas tem base sólida. Dilma chegou acelerando, mas corre risco de derrapar. Serra, mais bem preparado, controla São [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=182&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muitos diriam: &#8220;Marina!&#8221; Mas acabarão votando em José Serra ou Dilma Roussef para presidir o Brasil, no mínimo, até 2014. Apesar do Fla-Flu, são tipos parecidos, Dilma e Serra. No geral, falta-lhes <em>appeal</em>. Serra tropeça na campanha, mas tem base sólida. Dilma chegou acelerando, mas corre risco de derrapar. Serra, mais bem preparado, controla São Paulo. Dilma, mais oportuna, tem o apoio de Lula. Marina, sendo Silva, tem mais <em>appeal</em>, mas pouca chance. Enfim, Serra ou Dilma?<span id="more-182"></span></p>
<p>Serra é homem. Dilma é mulher. Os dois de meia-idade, da classe média esclarecida. Pagam suas próprias contas e as monitoram pessoalmente no Excel. Lêem regularmente livros, jornais e revistas. São capazes de dar instruções técnicas diretas a seus auxiliares. Parecem gostar de trabalhar. Não enriqueceram com a política. Pode soar pouco, mas são qualidades raras nos palácios brasileiros. Na mesa de um presidente assim, lobistas precisam suar mais. Isso é bom.</p>
<p>Trabalhando no governo federal, Serra foi capaz de organizar o acesso a remédios mais baratos e, para isso, enfrentou interesses multinacionais. Dilma, lá, foi capaz de organizar investimentos inéditos em infra-estrutura e, por isso, conquistou inegável capital político. Ambos conhecem orçamento público e política econômica. São considerados rigorosos com prazos e tarefas. Apreciam a eficiência. Poderiam muito bem gerenciar o Brasil. Mas qual dos dois?</p>
<p><strong>Perfis</strong> &#8211; Meu filho de sete anos me pergunta em quem vou votar: Dilma ou Serra? Eu não sei o que responder. &#8220;Serra é careca, sério, tem olheira e só veste camisa azul clara.&#8221; &#8220;Aquela outra, como é que é mesmo? A Vilma? É brava, né?&#8221; Realmente, José Sério e Vilma Roussef não seriam bons professores primários. Falta-lhes paciência, simpatia, irreverência, gingado. Tudo o que sobra em Lula. Mas desconte isso, e as crianças ainda teriam muito a aprender com eles.</p>
<p>Serra e Dilma eram de esquerda. Ele liderou a UNE, exilou-se e estudou no exterior. Despontou politicamente no MDB paulista, até fundar o PSDB. Foi senador, prefeito, governador e ministro de Fernando Henrique, no Planejamento e na Saúde. Em 1995, criticava os juros altos e as metas de superávit de Pedro Malan. Em seu caminho ao Planalto, já atropelou Roseana Sarney, Tasso Jereissati e Aécio Neves: “Esta é minha última chance”, justificou ao mineiro, a sós.</p>
<p>Dilma, ainda garota, trocou sua identidade para combater com armas a ditadura na VAR-Palmares. Foi presa e torturada. Mais tarde, sairia do PDT gaúcho para o PT na esteira do governo Lula, de quem foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil. Em 2005, reorganizou o governo após a queda de José Dirceu e Antônio Palocci. Seu caminho ao Planalto começou aí, esgotadas uma a uma as melhores opções petistas. “Dilma, a candidata vai ser você”, pontificou Lula, sem precisar justificar.</p>
<p>Bem, e há ainda Marina, a ambientalista evangélica tardiamente alfabetizada nos seringais, eleita ao Senado e feita por Lula ministra do Meio Ambiente. Escanteada no governo pelo desenvolvimentismo dilmista, tornou-se a terceira via desta eleição. Para críticos, é uma política de nicho, influenciada por suas crenças religiosas e isolada em um partido ainda verde. Para entusiastas, uma nova esperança, um refúgio moral. Uma opção para quem não vai com os tucanos, aprova o atual governo, mas se desencantou com o PT.</p>
<p><strong>Dizeres</strong> &#8211; Serra diz que o governo Lula até foi bom, mas que o foi apesar do PT. Diz que Dilma não é Lula. Que, diferente dele, ela não controla, mas é controlada pelo PT. Um governo Dilma, diz ele, seria uma aventura controlada pelos “mensaleiros” e “aloprados” do PT. Serra também diz que o país não começou com Lula, em 2002. Melhorou sim, mas isso vem desde o Plano Real, numa evolução que agora dá seus melhores frutos, com fundamentos herdados de FHC. Segundo ele, a vida melhorou apesar do PT.</p>
<p>Dilma diz que o governo Lula foi não apenas bom, mas excelente, e o foi graças ao PT. Diz que a ela foi confiado o legado de Lula. Que, se preciso, ele virá pessoalmente controlar o PT, sem contar o PMDB, PDT, PSB, PP e outros bichos. Um governo Serra, diz ela, seria um retrocesso capitaneado por quatro senhores reunidos em um bistrô nos Jardins. Dilma diz que o país se reinventou com Lula, em 2002. Ganhou novo ânimo empreendedor, tirou milhões de pessoas da pobreza. Segundo ela, a vida melhorou graças ao PT.</p>
<p>Já eu não sei bem o que dizer. Antes de decidir meu voto, verei ainda o que diz Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, mesmo que ele não tenha o calor de Heloísa Helena (que faz uma falta no Senado!), e mesmo que seu socialismo soe algo anacrônico. Apesar de suas origens, Plínio e Marina parecem hoje eqüidistantes de PT e PSDB. E penso que, não fossem suas circunstâncias partidárias e a bile da campanha, Serra e Dilma estariam mais próximos um do outro do que estão de seus respectivos vices, Índio da Costa, do DEM, e Michel Temer, do PMDB.</p>
<p>Fico imaginando uma chapa com Serra e Dilma, ou Dilma e Serra, um presidente e o outro, vice. Lula e FHC poderiam entender-se tomando um chá em Camp David, com Clinton e Obama. Saem os militantes do PT e seus programas totalitários. Saem os cardeais tucanos e suas enófilas indecisões. Surge um plano racional de governo, feito por Dilma e Serra mais três assessores em duas madrugadas no Power Point. Cria-se o Partido dos Trabalhadores Social-Democratas do Brasil (PTSDB). O povo aprova.</p>
<p>Mas, e agora, quem aceita ser vice? Serra ou Dilma?</p>
<p><em>(Revista Boemia, agosto de 2010)</em></p>
<div><em><br />
</em></div>
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		<title>O que fazer dentro da nuvem</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 16:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Rolfsen Belda</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A vida cotidiana entre chips, sensores, câmeras e zilhões de bits de informação Em 2029, Araraquara será muito mais do que uma cidade digital. Infovias, internet para todos e órgãos públicos interconectados são apenas o primeiro passo. No futuro, cada araraquarense será, ele próprio, um provedor de acesso à rede. Seremos antenas ambulantes, enviando e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=127&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>A vida cotidiana entre chips, sensores, câmeras e zilhões de bits de informação</em></p>
<p>Em 2029, Araraquara será muito mais do que uma cidade digital. Infovias, internet para todos e órgãos públicos interconectados são apenas o primeiro passo. No futuro, cada araraquarense será, ele próprio, um provedor de acesso à rede. Seremos antenas ambulantes, enviando e recebendo sinais, imersos em uma atmosfera carregada com nuvens de informação.<span id="more-127"></span></p>
<p>Para exibi-las, usaremos dispositivos que ainda nem se imagina. Telas portáteis devem dar lugar a imagens projetadas no ar e controladas por voz, tato ou pelo simples movimento do olhar. Chips e sensores estarão acoplados a utensílios diários dos mais triviais, como roupas e acessórios. E a força mecânica de nossos passos poderá ser usada para recarregar baterias.</p>
<p>Para isso, você não precisará se preocupar com instalação e configuração de software. Os programas estarão disponíveis na rede e se adaptarão a qualquer tipo de uso. Provavelmente, você tampouco precisará comprar hardware. Ele será dado em troca de sua fidelidade a um serviço qualquer. Ou montado com peças genéricas, pelo seu sobrinho, na garagem.</p>
<p>Cada torcedor da Ferroviária poderá transmitir ao vivo, das arquibancadas da Arena da Fonte, seu vídeo particular com gols, lances e comentários sobre a partida. Os melhores colecionarão seguidores e liderarão comunidades de relacionamento. Os mais fanáticos poderão simular lances geniais, alterando parâmetros de força, direção, trajetória e velocidade da bola.</p>
<p>Você não mais irá colecionar livros, discos e filmes nas prateleiras e estantes de casa. Eles estarão disponíveis para download instantâneo, com conteúdos extras, atualizações e informações adicionadas por usuários do mundo todo. Produzir seus próprios livros, discos e filmes também será mais fácil. Mas ganhar dinheiro com eles, provavelmente, será mais difícil.</p>
<p>Sua geladeira e o armário de despensa irão perceber quando o estoque de leite estiver no fim. Enviarão alerta com uma mensagem sugerindo marcas, preços e lojas próximas onde comprar. Bastará um clique e, em alguns minutos, o produto será entregue em sua casa. Os mais organizados poderão prever e automatizar as compras do mês. E, claro, conferir os débitos lançados na conta bancária.</p>
<p>Em vez de ir ao supermercado, você poderá caminhar pelo Parque dos Trilhos enquanto conversa em tempo real com a projeção audiovisual de um amigo distante. Sensores instalados no asfalto da Via Expressa controlarão a velocidade e satélites guiarão o percurso dos automóveis, enquanto motoristas leem as manchetes e veem fotos do dia no para-brisa do veículo. Só será exibida publicidade que você queira ver.</p>
<p>Mas o ano 2029 ainda está longe. E é provável que tudo isso nem demore tanto tempo assim. Já há protótipos e experiências reais sobre cada uma das tecnologias e situações descritas aqui. Para os cientistas da computação, o céu não é o limite. Falam até de uma internet interplanetária, conectando-nos a Marte, por exemplo. Se houver ETs, o bate-papo estará garantido.</p>
<p>Por enquanto, ainda resta fazer a lição de casa. E 20 anos pode ser pouco tempo para se planejar e implantar as tantas mudanças necessárias para a atualização dos nossos serviços básicos de educação, saúde e administração pública. Para as novas gerações, criadas em meio a sites, games, blogs, twitters e scraps, a inclusão digital será natural. O que fazer dentro da nuvem é que são outros quinhentos.</p>
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		<title>Remédio não traz felicidade</title>
		<link>http://belda.wordpress.com/2009/06/23/remedio-nao-traz-felicidade/</link>
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		<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 07:59:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Rolfsen Belda</dc:creator>
				<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Descontrole e automedicação de antidepressivos e estimulantes preocupa O uso de medicamentos para tentar resolver problemas como depressão, ansiedade, insônia, mau humor ou falta de atenção tem levado muitos pacientes a um beco de difícil saída. O consumo prolongado e às vezes desnecessário de remédios que afetam o sistema nervoso central pode, além de levar à [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=belda.wordpress.com&amp;blog=4604880&amp;post=170&amp;subd=belda&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Descontrole e automedicação de antidepressivos e estimulantes preocupa </em></p>
<p>O uso de medicamentos para tentar resolver problemas como depressão, ansiedade, insônia, mau humor ou falta de atenção tem levado muitos pacientes a um beco de difícil saída. O consumo prolongado e às vezes desnecessário de remédios que afetam o sistema nervoso central pode, além de levar à dependência, mascarar as causas originais do transtorno, dificultando o tratamento.</p>
<p><span id="more-170"></span></p>
<p>Caso típico é o do paciente que procura o consultório psiquiátrico mais interessado em obter uma receita de calmante do que em investigar o motivo de sua inquietação. “Há uma ideia enganosa de que o remédio vai resolver o problema e trazer felicidade”, aponta o psiquiatra e psicoterapeuta Ivan Mourão, chefe dessa área médica no Hospital São Luiz, também graduado em Filosofia</p>
<p>Um efeito colateral do que já se reconhece como um fetiche pelo remédio é a disseminação da automedicação. Muitos escolhem e usam suas “pílulas da felicidade” por conta própria, ou sob orientação de amigos, diante de um transtorno qualquer. “Cansei de receber pacientes dizendo que tinham síndrome do pânico quando na verdade não tinham, e ainda usavam o medicamento errado”, diz o psiquiatra Miguel Roberto Jorge, diretor do curso de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultor da Organização Mundial de Saúde (OMS) para assuntos de psiquiatria, saúde mental e abuso de substâncias medicamentosas.</p>
<p>Ele diz que o uso de psicotrópicos como antidepressivos, tranquilizantes e estimulantes sem acompanhamento médico, ao invés de solução, costuma se tornar um problema a mais. “Tomar um comprimido no meio de uma crise, tudo bem. Mas nenhum medicamento é inócuo, e a automedicação constante pode trazer danos sérios ao organismo”, alerta. O risco varia em função do tipo de remédio, da dose consumida e  os efeitos sobre a pressão arterial, o intestino, o ritmo cardíaco e o sono. “Quadros emocionais mais leves, que não afetam a rotina da pessoa, não necessitam de medicação. Em outros casos, um remédio indicado pelo médico pode e deve ajudar. Mas a química não vai resolver todos os problemas de natureza emocional”.</p>
<p><strong>Hora certa</strong></p>
<p>A fronteira entre problemas rotineiros e problemas que demandam auxílio médico não é clara. Começar a — e, principalmente, parar de — tomar remédios é sempre uma decisão difícil, que depende de diagnóstico médico em função das circunstâncias e do perfil de cada paciente. Estar triste, por exemplo, não implica estar à beira da depressão. “Tristeza é parte da vida e pode até ser considerada uma reação saudável, que leva ao recolhimento”, diz Ivan Mourão. O normal é que esse sentimento se resolva com o tempo, na medida em que a pessoa siga com seu ritmo e mantenha suas atividades cotidianas. “Já a depressão não tem uma causa definida e torna a vida improdutiva, afetando o sono, a alimentação, o trabalho e a vida social”, compara.</p>
<h3 style="padding-left:60px;">Dois em cada três tranquilizantes que circulam no país são consumidos por mulheres. E com as anfetaminas a proporção é ainda maior: quatro em cada cinco, segundo o Cebrid.</h3>
<p>A diferença entre a agitação e a ansiedade é parecida. “Em casos de ansiedade, o problema não é apenas psicológico e se expressa também no corpo da pessoa, que passa a ser afetado pela emoção”, explica Mourão. Alguns sintomas são disparo do coração, tonturas, vômitos, diarreias e falta de ar.</p>
<p>“O remédio apressa a melhora do paciente e pode ajudá-lo numa fase crítica, já que a terapia requer um prazo maior”, aponta o psiquiatra Miguel Roberto Jorge. O problema passa a ser, então, identificar o momento certo de interromper seu uso. “Essa é uma análise muito difícil, que depende do tipo de remédio utilizado e também do perfil da pessoa”, diz.</p>
<p>Ivan Mourão avalia que apenas em casos muito raros é necessário manter o uso de medicamentos por tempo prolongado, até mesmo indefinidamente — por exemplo, pessoas com dificuldade para lidar com seus problemas pela via psicológica. “Nessas situações, tirar o remédio pode ser pior”, reconhece. “Mas o ideal é que a submissão de medicamentos esteja sempre associada a uma terapia, para que se criem condições para deixar de usá-los.”</p>
<p><strong>Usos e abusos</strong></p>
<p>O Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), ligado à Unifesp, fez em 2005 uma pesquisa domiciliar com 7.939 entrevistados. Os resultados revelam o quanto se usa e se abusa desses medicamentos no país. A proporção de pessoas que recorreram a estimulantes (anfetaminas, usadas como moderador de apetite) pelo menos uma vez na vida havia crescido de 1,5%, em 2001, para 3,8%, quatro anos depois. O uso de ansiolíticos (para controlar a ansiedade) passou de 3,3% para 5,6%, o que corresponde, se os resultados da amostra forem projetados para o país como um todo, a mais de 2,8 milhões de usuários brasileiros.</p>
<p>Ou melhor, brasileiras. Dois em cada três tranquilizantes que circulam no país são consumidos por mulheres. E com as anfetaminas a proporção é ainda maior: quatro em cada cinco, segundo a pesquisa do Cebrid. De acordo com especialistas, a maior prevalência de uso de psicotrópicos entre o sexo feminino pode ser em parte explicada pela suscetibilidade ao uso de anorexígenos, os remédios para emagrecer.</p>
<p>A pesquisadora Cleopatra da Silva Planeta, professora de Neuropsicofarmacologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara, explica que o abuso de medicamentos psicotrópicos pode levar à dependência. Uma arma poderosa dessas substâncias é sua ação direta em áreas do cérebro responsáveis pelo comportamento e pelas sensações de prazer. Se o remédio for mal dosado ou mal monitorado, a tendência é que se busque novamente esse prazer, e cada vez mais. Logo, a mente da pessoa associa seu bem-estar ou o alívio de seu desconforto ao consumo do remédio, e já não pode viver sem ele.</p>
<p>Das quase 8 mil pessoas entrevistadas pelo Cebrid em 108 municípios, 39 (ou 0,5%) eram dependentes de ansiolíticos. “Muitas vezes, uma tristeza qualquer é encarada como depressão”, avalia a pesquisadora. “Uma mudança de hábito talvez pudesse, por si só, saciar a ansiedade e evitar a dependência em relação a um medicamento.” Outro tipo de medicamento que tem sido bastante procurado é a ritalina, frequentemente usada para aprimorar o desempenho acadêmico. A substância, um anfetamínico que pode melhorar o processamento da memória, é indicada para certos casos diagnosticados de déficit de atenção. Mas seu uso como incremento cognitivo para estudantes tem sido criticado por especialistas. “Há geralmente um excesso de diagnóstico”, afirma Cleopatra. “Às vezes a criança é um pouco mais agitada e já se utiliza a droga para controlar seu comportamento. Isso é um abuso.”</p>
<p><strong>Tráfico de drogas</strong></p>
<p>O problema recebe atenção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável por controlar a fabricação e o consumo de medicamentos no Brasil. No caso dos psicotrópicos, que levam a famosa tarja preta em torno de sua embalagem, o controle é mais rigoroso: eles só podem ser vendidos sob prescrição médica, com receita em duas vias. Uma fica retida na farmácia. A outra é  carimbada e devolvida ao paciente. Toda venda tem, ainda, de ser informada pela drogaria à Anvisa por meio do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados — em que se detalha qual o remédio vendido, seu lote de fabricação, o número da receita e dados do médico que o receitou.</p>
<h3 style="font-size:1.17em;padding-left:60px;">Vivemos uma década farmacológica, em que alguns comportamentos foram transformados em patologias psiquiátricas. Para tudo busca-se um remédio, uma cura rápida, mas não se pergunta o porquê do sofrimento.</h3>
<p>“A venda sem receita de medicamentos controlados pode ser considerada tráfico de drogas”, sublinha o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello. Um dos principais focos desse controle é o combate à automedicação, que inclui restrições à propaganda e publicidade de remédios. Uma resolução do órgão restringe os anúncios publicitários de remédios psicotrópicos a revistas de conteúdo exclusivamente técnico e dirigidas a profissionais especializados. Também exige destaque para contraindicações e problemas referentes ao consumo associado a outros medicamentos. Qualquer informação científica deve trazer menção aos artigos especializados de onde foi retirada.</p>
<p>Profissionais do setor reconhecem, no entanto, que a propaganda difundida pela indústria farmacêutica por meios alternativos — e em alguns casos pelos próprios consumidores — tem sido decisiva para o uso crescente de psicotrópicos. “O medicamento é uma mercadoria que as empresas querem vender, e essa venda está associada a uma mensagem de eficiência, rapidez, felicidade e alegria”, diz Cleopatra Planeta, da Unesp.</p>
<p>Miguel Roberto Jorge, da Unifesp, concorda que a maior proliferação de informações sobre o uso dessas substâncias requer atenção. “Uma parte das pessoas é induzida pela propaganda à automedicação.” De acordo com a pesquisa do Cebrid, nos Estados Unidos, onde a regulamentação para a publicidade de psicotrópicos é bem menos rígida, o uso de ansiolíticos atinge 8,3% da população e o de estimulantes, 6,6% — mais que o dobro do encontrado no Brasil.</p>
<p>Do outro lado do divã, o psiquiatra Ivan Mourão, do Hospital São Luiz, aponta a preocupação da comunidade médica, por meio de seus conselhos de classe, com os “mimos” oferecidos pela indústria farmacêutica aos consultórios psiquiátricos. E também confirma a sensação de impotência dos médicos frente a propagandas sobre o uso de remédio que circulam em sites, blogs, redes de relacionamento, fóruns e comunidades na internet. Algumas dessas páginas abrigam “orientações” a pacientes com distúrbios comportamentais, incluindo  dicas de medicamentos e lista de perguntas e respostas para rápidos autodiagnósticos on-line.</p>
<p>“A internet é, atualmente, um dos principais canais utilizados por criminosos para a venda de medicamentos falsificados e clandestinos”, reconhece Raposo de Mello, o diretor-presidente da Anvisa. “O cidadão deve ter cuidado com sites que prometem curas milagrosas para doenças graves ou medicamentos que prometam cura para várias doenças”, orienta. Ele lembra que a compra pela internet e sem receita médica de medicamentos controlados é ilegal. “Recomendamos a compra de medicamentos apenas em farmácias e drogarias legalmente autorizadas pela Agência e licenciadas pela Vigilância Sanitária local.”</p>
<h2>Cuidado, remédios</h2>
<p>Veja o perigo do consumo, sem prescrição médica, de medicamentos que atuam no sistema nervoso central:</p>
<p>• Entorpecentes, anestésicos injetáveis, analgésicos à base de ópio: o uso pode causar dependência física ou psíquica.</p>
<p>• Ansiolíticos, tranquilizantes, antidepressivos, antipsicóticos, psicoestimulantes, sedativos e hipnóticos: o abuso pode causar dependência.</p>
<p>• Anorexígenos: podem causar dependência, quando usados em excesso, e hipertensão pulmonar.</p>
<p><em>Fonte: Centro de Vigilância Sanitária</em></p>
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<p>(Texto publicado na <em>Revista DNA</em> – Hospital São Luiz, número 8, em abril de 2009)</p>
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